A vida segue abaixo do Zeppelin
Tenho que escrever como nunca escrevi. Concentrar forças e desatar os caminhos dessa teia teórica que me enfiei. Mas é nessas horas que a dispersão vem. A fome faz roncar as entranhas que me empurram para a cozinha. O sono faz arder a retina enquanto os olhos querem entender as últimas linhas digitadas na tela. O frio arranca minha pele, mas, mesmo assim, os músculos comandam os pequenos ossos que digitam desordenadamente a superfície bege do teclado. Todo o corpo parece querer desistir. Em seu auxílio, a vida lá fora me chama na forma de alegres passarinhos que nem mesmo o inverno impede de cantar no parapeito da sacada.
Nesse momento, o frio é meu pior inimigo.
Se E o Vento Levou fosse filmado no Rio Grande do Sul, com certeza, na cena final (abraçada num edredom) Scarlett gritaria: Eu nunca mais sentirei frio!
Estas linhas já foram sinal da tentativa de rendição que o levante de órgãos e tecidos querem impor sobre mim. Mas a determinação não faz prisioneiros nem tem misericórdia. Terão de me pôr inconsciente sobre uma maca ou continuarei aqui até a última célula!
Que a dissertação seja nossa glória ou nossa lápide!
... Mais um breve surto... E voltemos para a dissertação.

